domingo, 31 de janeiro de 2021

 

Morre Herbert Bartz, o pioneiro do Sistema Plantio Direto na América Latina.



Com profundo pesar, a Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha e Irrigação, comunica o falecimento de Herbert Arnold Bartz, pioneiro do Sistema Plantio Direto na América Latina e um dos fundadores dessa entidade.

Bartz estava internado na Santa Casa de Arapongas, cidade vizinha de Rolândia, onde ele morava, no Norte do Paraná. Faleceu em consequência de complicações de uma pneumonia que o acometeu, e veio a falecer durante esta madrugada do dia 29 de janeiro de 2021 às vésperas de completar 84 anos.

Nascido em Rio do Sul (SC), em 14 de fevereiro de 1937, filho de imigrantes germânicos, ele passou boa parte da infância e da juventude na Alemanha, em meio à Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945). Enfrentou a fome e sobreviveu ao terrível bombardeio da cidade de Dresden, onde estava em fevereiro de 1945.

Quando voltou para o Brasil, em 1960, estabeleceu-se em Rolândia, na Fazenda Rhenânia, ao lado do pai, Arnold, e dos irmãos. Tornou-se agricultor.

Aborreceu-se com todas as dificuldades que a vida de homem do campo impunha. As doenças dos animais, os fracassos das lavouras. O clima indomável, as chuvas torrenciais. A erosão. A terra e a fertilidade indo para os rios.

Deu o basta em 1971, depois de uma tempestade, quando assistiu, de guarda-chuva em uma mão e lanterna na outra, o solo arado e gradeado se desfazendo. Viajou atrás de soluções e voltou dizendo que o certo era plantar sem arar e gradear. Fazer plantio direto ou, como diziam nos Estados Unidos, “No-Tillage” ou “No-Till”.

Herbert Bartz sabia valorizar os alimentos depois de todas as agruras que passara na infância.

Em 1972, com uma plantadeira Allis-Chalmers que ele mesmo importou, fez o primeiro plantio em larga escala sem revolver o solo da América Latina. Os vizinhos começaram a dizer que ele havia enlouquecido.

O fato era tão inédito que a Polícia Federal apreendeu toda a produção de soja resultante daquela iniciativa.

Mas Herbert Bartz não era de esmorecer. Pelo contrário. Passou a difundir o Sistema Plantio Direto para quem quisesse aprender, de graça, sem cobrar nada de ninguém.

Nos agricultores Franke Dijkstra e Manoel Henrique Pereira, o Nonô, encontrou os companheiros perfeitos para uma grande jornada educacional pelo interior do Paraná e de outros estados do Brasil. Pelo exemplo, convenceram muitos outros, ainda na década de 1970, quando surgiram os “Clubes da Minhoca.”

Bartz proferiu inúmeras palestras no Brasil e em países vizinhos, sempre acompanhado de seu projetor de slides, mostrando com imagens os benefícios de conservar o solo.

Em certa ocasião, diante da incredulidade de debatedores, que insistiam o Sistema Plantio Direto não permitia a descompactação do solo e enfatizavam que era preciso sim usar arados e grades, saiu-se com esta: “Eu sei resolver o problema da compactação quando ela atinge o solo, mas não sei o que fazer quando atinge o cérebro humano.”

Assim seguiu, encontrando na ciência e na academia grandes aliados quando estudos consistentes começaram a ser feitos e publicados. Mesmo sem ter formação em curso superior, deu inúmeras aulas em cursos de Agronomia, sobretudo na Universidade Estadual de Londrina (UEL), onde o filho dele, Johann estudou e se formou, tornando-se engenheiro agrônomo e agricultor.

A filha Marie também estudou na mesma instituição, formando-se em Biologia e tornando-se uma das mais destacadas pesquisadoras do mundo em minhocas. Herdou do pai o amor pelo solo.

Casado com dona Luiza, em 1989, Bartz havia perdido o mais velho dos filhos, Wieland, que morreu aos 12 anos. O intenso trabalho nas lavouras foi o remédio para vencer aquela dor.

Em 1992, depois de espalharem pelo País inúmeros “Clubes Amigos da Terra”, os sucessores dos “Clubes da Minhoca”, Bartz, Dijkstra e Pereira fundaram esta Federação.

Desde então o Sistema Plantio Direto só fez crescer. E o Brasil se tornou uma potência em produção de alimentos para o mundo. Não é segredo que o agronegócio tem sido o grande motor de desenvolvimento do nosso País e o maior contribuinte do Produto Interno Bruto (PIB).

Isso se deve ao intenso trabalho de cada homem e mulher que se dedica a produzir alimentos e que ama o nosso solo, seguindo o exemplo deste grande pioneiro, Herbert Bartz.

Em 2018, com idealização de Johann e Marie, foi escrito, pelo jornalista Wilhan Santin, o livro “O Brasil Possível: a biografia de Herbert Bartz”, que conta toda a saga desse agricultor. Na obra, ele eternizou a frase “a natureza não aceita propinas.”

O corpo será velado amanhã 30 de janeiro de 2021 das 07h00min às 11h00min no espaço Bom Pastor, em Rolândia PR aos cuidados da Funerária Bom Pastor 43 32552327 e será aberto ao público, com todas as precauções devido ao corona-vírus, depois segue para cremação em Londrina.

Os votos de condolências poderão ser enviados ao site da Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação www.febrapdp.org.br

Obrigado, Herbert Bartz. Seguiremos seguindo o seu exemplo e honrando o seu legado.

terça-feira, 26 de janeiro de 2021



JORNAL Nº 17
A edição nº 17  marca o inicio doo ano de 2021,  os eventos ainda estão fechados. Estamos levando pra você um pouco do que está acontecendo no social, essa edição conta com 12 páginas.  História do Paraná, Aniversário de Pitanga, Manoel Ribas e do nosso querido Banco do Brasil com sua agência comemorando 69 anos. Inauguração do Atacadão Guarapuava, e muitas materias legais. Confira: Se você tem sugestão para a proxima edição envia-nos para o e-mail- jornalsur@gmail.com.  Boa leitura.